Rede Fluxus

Anna Flávia Dias Salles

Trabalho com criação em audiovisual como roteirista ou organizadora de idéias ora individuais ora coletivas para midias diversas: cinemão, video, aplicativos multimidia, tevê, web, instalações para percursos museográficos...
Comentários
02/01/2012
Em Algum Lugar do Mundo » texto lindo mesmo, porque tá liberto da imagem. um andarilho, estrangeiro, amante da humanidade, olhando uma vila na indonésia. o lugar vai ganhando ritmo próprio enquanto ele faz o contraponto ao evocar o que estaria acontecendo em outros lugares. assim, o que se come entre índios amazônicos, quantos dormem no ombro de alguém num metrô de tóquio, quantas formigas sobem no túmulo do seu avô, quantas fotos são tiradas por dia na torre eiffel (e etc) é o que não está ali entre aquelas pessoas a vadiar, rir, tomar banho de rio, desenhar paisagens dentro de rostos. lindo mesmo, até o mosaico final, acho que tem consonância com o mosaico de rostos do início do filme. o filme dá lugar ao outro, se rende ao cotidiano, ao som do cotidiano. cinco estrelas!
02/01/2012
Rastros » sinto falta de uma cisão na narrativa do filme. há dois eixos que funcionam até certo ponto: um carro seta para a frente. um filme seta para trás. entre os dois, a dissolução, até a carne, da memória. o filme se atém a este perdurar da imagem de um menino na cabeça do homem que segue sua vida. mas fica repetitivo a partir de um ponto.
07/11/2011
Memórias de Papel » a história é interessante, lírica e utópica: atender ao desejo de alguém que, movido por saudade e nostalgia, queira entrar numa foto, romper com a morte. trilha derramada demais, mas, a solução técnica de fazer parecer que o filme é feito de fotos - o que é verdade em se tratando de referência à película - foi bem adequada às pretensões narrativas do autor.
07/11/2011
Hohenpeissenberg » o efeito, tão usado desde os primórdios do cinema, é legal. pena que o conceito do filme é que esteja descalçado, a meu ver, sem um apoio ou contexto que não o do efeito em si. e por si.
07/11/2011
Taba » montagem e fotografia bem legais e, a exemplo do filme polis, também do marcos, revela um pendor estético pra linha de koyaniskatsi (não sei se é assim que se escreve) que foi sucedido por outro (powa?)katsi. mas, quero observar que o vertov de o homem com a câmera, que talvez seja a fonte destes todos e de outros, dá mais vazão ao que acontece na cidade, fica uma coisa menos polarizada, mais facetada, viva, pulsante, porque a bola vai pro que tá acontecendo lá no exterior, pula de um fato a outro, recebe o atrito do que aconteceu e reage a isso de alguma forma... digo "polarizada" porque acho que a trilha sonora de taba - e o desenho de som - puseram uma camisa de força na fruição do filme, induzem demais a percepção e dão pouco espaço para que as contradições, pretendidas na sinopse, venham à tona. algumas associações de imagens e dissociações sonoras me pareceram também às vezes desvitalizadas...
07/11/2011
Adeus, Mandima » bacana este manejo do tempo: para trás e fazendo ilações futuras antes de voltar ao mesmo ponto. estruturalmente é bem inteligente. incomoda-me um pouco que não tenha havido por parte do menino-adulto em off uma imersão maior na cultura daquele povo do zaire. sabemos de sua constituição familiar branca, de seu temor de perder uma identidade, da professora européia e da médica branca (que o salvou "realmente" a despeito das tentativas de uso de ervas de uma anciã africana) e dos nomes de seus amigos. faltou a particularidade do lugar, o que ajudaria a gente a romper a vidraça do comum: alguém de família européia nascer na áfrica, viver nela como uma molécula de óleo que não se mistura na água e depois voltar ao pai-país cultural com algum problema identitário simples pra alguns meses de divã. de qualquer forma, bom filme.